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estou aqui,molhada de chuva,quebrada aos pedaços,implorando,pedindo,ajoelhada,rezando.Junto a esta cama de hospital,ouvindo aparelhos ressonantes apitarem tua vida.Ah,amor!queria que soubesse mais ainda como te amo.Queria que ficasse aqui comigo,pra sempre,rindo de mim,de você,de nós.Nada será o mesmo sem teus olhos pousados nos meus,sem você do meu lado,sem você comigo.Ah,meu amor!lembra de nossos versos?nossas músicas,nossos sonhos,nosso futuro?nosso,meu amor,do qual nunca desistirei.Mas eu preciso de você aqui,pra realizá-lo,meu amor.mon amour,mon amour.Nunca me deixa,nunca me perdoarei.
ao mesmo tempo calor,e frio,e felicidade,e tristeza,e medo,e tudo possível quando o coração bate forte quando te vejo,e fica fraco quando está longe.Como se fosse sangue escorrendo de minha garganta quando digo meu adeus,como se fosse mel em meus lábios quando neles se deitam os teus.Como uma claustrofóbica,como uma hipocondríaca,como uma louca fico, sem teu ar junto do meu,sem tuas mãos em minhas mãos.Tudo o que eu quero,tudo o que eu preciso,são suas palavras sussurradas bem baixinho em meu ouvido,tão baixinho que tudo mude e fique em silêncio,que tudo se cale e se faça calar,só pra tua voz ecoar nas paredes.Arrancaste um pedaço de minh'alma,e deixaste uma peça da tua comigo...E não importa o desespero ou as palavras de saudade que eu recite,sei que estás comigo,e que sempre estarás,pois minha parte está contigo,e a sua,dentro de mim.
lebewesen eine,einzig eine drinnen von übrig.
Era manhã,ainda.O sol estava meio que inclinada,e aquele senhor de 70,75 anos estava sentado no sofá de sua casa.Era dia dos pais.
O telefone ainda não havia tocado,era aquele puro silêncio.
Seu neto vinha chamá-lo.Lhe dera um abraço apertado,e o puxara pela mão.Ele sempre foi ágil e vivaz,nunca teve problemas com locomoção.Foi correndo até a casa de sua filha,ao lado.
Sua neta estava naquele computador,com um sorriso enorme.lágrimas nos olhos.
-vem ver o que tio mandou pra o senhor,vô.
e lá estava,o que ele esperava.
Saiu chorando,cambaleando.Agradecido.Reconhecido.
E o perdão não foi falado,mas sentido.
Seus espelhos castanhos miravam o céu que brilhava acima do teto solar.Era noite,as estrelas faiscavam como fogo.Ao seu redor,começava o bosque,mais calmo que o normal.Ouvia-se apenas o barulho-silêncio das cigarras ao longe,e uma música antiga no som do carro.
Quando seu pescoço começou a doer de tanto olhar pra cima,desviou o olhar para o lado.Seu foco recaiu-se sobre o telefone celular,e um sorriso se esboçou no canto direito de sua boca.Suspirou uma esperança e olhou as horas.
Duas e quinze.E nada.
Fechou os olhos ardidos.E esperou.
...
O tamborilar dos dedos no vidro acordou-o de súbito.Meio zonzo,olhou o pulso;Duas e quarenta e cinco.O rosto pálido e de sorriso meio contido encarava-o com olhos atentos do lado de fora.Ela tamborilou os dedos no vidro novamente,de ele.Ele sorriu.-Pensei que você nunca viria-diz ele,abrindo a porta do carona.Ela sentou-se,e ele logo sentiu aquela velha sensação de conforto de quando o cheiro de flores do corpo dela se fazia presente.Fechou os olhos,e dessa vez sorriu aberto,com os dentes brancos à mostra.Ela encarava as próprias mãosque seguravam a barra da saia rodada,cheia de nervosismo.-Está frio..-falou ele,meio cabisbaixo.
-Me desculpa...te fiz esperar todo esse tempo.Me perdoa.
-Você não precisa pedir desculpas Ana,nunca precisou.Eu nunca vou ter raiva de você.
-Eu estava com medo.Ainda estou...-falou Ana sincera,mas relutante.
-Bem...Quer que eu te deixe em casa?-ele pergunta,a voz meio ferida.
-Não!eu quero ficar...com você.
Foi aí que ela virou o rosto na direção dele,e percebeu que ele falava juntinho de seu ouvido.Seus narizes roçaram um no outro delicadamente,e seus lábios de leve,encostaram-se,seu rosto pegando fogo.
Sentiu uma mão em seu rosto.
E um beijo.
Começava a chover,e o barulho dos pingos lhes dava certa sensação de sonolência.
Suas pálpebras fecharam-se,as mãos dadas.
Nenhum dos dois havia tirado o anel de noivado.
Para Rebeca Lopes.
Era fim de ano;A terapia inchava seu corpo,e enfraquecia seus ossos,e os produtos químicos derrubavam seus cachos.
Mas ela sorria.Ela tinha vindo,e ela sorria.
E ela fez doces;Divinos!Divinos!Dignos de uma deusa.
Da deusa Carolina.
E ela guiou minha mão,e me ensinou em um segundo o que levaria anos de prática sozinha...
E estava tão corroída que cozinhava sentada,respirando com certa dificuldade.
Era tarde.Nós conversávamos na cama.Estendi minha tiara,um presente.Ela riu,brincou,colocou nos cabelos fracos.
E foi embora;o carro foi embora,e saí com a tiara na mão,pra porta;mas ela já tinha ido embora.
e eu torci,como eu torci,pra que ela voltasse,e que ela viesse e me abraçasse...
como eu torci.
meses depois me avisaram que aquele sorriso havia partido.
o mais gelado metal atravessando sua caixa craniana,estiçalhando todas as suas lembranças,todos os seus sonhos,e seus medos,e seus rancores.a bala atravessa mais que sua carne e seus ossos,e ela espalha mais do que sangue e artérias,e a sua decisão é mais que única,seja ela verdadeira ou não.real ou não;é o que você escolhe agora,e que nunca vai mudar.como um tiro na cabeça.o sangue espalhado vale a pena?