terça-feira, 16 de outubro de 2007

sonho.

-Ele me promete coisas bonitas.Aí os olhos dele brilham.Parece até sonho,quando a gente tá quase acordando,sabe?Aquela hora que a gente percebe que não é de verdade e que vai acordar.Aquela senção no peito....sabe?Aquela hora que a gente torce rpa que não acabe,e de repente a gente tá na cama de novo. Só que sem a parte de acordar... Só o sonho com bordas transparentes de tela de cinema.

meu manto.


"Querido irmão;

Não se preocupe tanto comigo.Dói em mim ver você me procurando.Onde estou,estou bem,apesar da saudade que pesa tanto.
Estou num lugar calmo...sopra um vento forte de vez em quando,mas o que eu queria que vocês vissem,são as folhas no outono.Lembra quando a gente brincava quando o papai juntava todas aquelas folhas que caíam no quintal?Então.Só que é lindo,eu vejo elas nascendo e caindo,nem percebo o tempo passar.
Tem pássaros aqui.Insetos.Aprendi a conviver,apesar de muita coisa caminhar no meu rosto.Só lembro de você e seu medo de aranhas,sabia?
Outro dia uma garota caminhava por aqui,e deixou cair a fita do cabelo.Ela tinha cheiro de chocolate,sabe?daqueles que a mamãe derretia pra a gente comer com bolo.Ah!se eu tivesse olhos estaria chorando tanto.A fita está aqui comigo,é como se aquela menina fosse minha amiga.Sinto tanta inveja,ela pode caminhar,e pode encontrar quem ama.
Sinto saudade de vocês,e de você,meu pequeno,que contava histórias de piratas e não me deixava dormir.



Ana."

Fuga.


Meu medo se borra além de meus contornos.Medo do futuro,de ser o que cresce aqui dentro.Medo disso que cresce aqui.
Disto,entre meus pulmões,que cresce,que me sufoca.
Não sei se vale a pena continuar,e estar totalmente fraca e machucada no final.

Falência.


Já haviam dezessete minutos que eu poderia ter-me jogado lá de cima.
Entretanto,eu continuava imóvel,as articulações rangendo.
Imóvel.
Podia ficar lá a vida toda?Não,não podia.Aquela era a minha decisão,quisesse eu ou não.
Devo desistir?

o despertar.


Os primeiros raios da manhã entravam intrusamente pela janela do quarto.Primeiro,lamberam-lhe o rosto,depois,um pouco dos ombros.Seus pés estavam envolvidos nos dele,que eram quentes,e brincavam,mexendo os dedos de leve.'Que pés frios',falara ele,sorrindo,segurando a mão gelada e abraçando-a junto ao peito,antes de caírem no sono.
sentiu a luminosidade nos cílios e já se via acordando,como se caísse em cima de si mesma.
A cama estava macia,e seus pés não estavam mais frios.O abraço era quente.A luz que a arrancara de seu sonho em branco era pálida,e tinha algo de morno.
As primeiras chamas do dia.

Tudo o que eu quero é você comigo

Meu choro é o suicídio das palavras.


Não sai mais nada.Nada de nada,não saem palavras,só água salgada dos olhos e o ar da respiração.Nada mais.
Vejo gotas que escorregam,suicidam-se,quebrando frases do texto ao meio,derretendo palavras.Não entendo esse calafrio na espinha,que sobe e desce dando-me certa vivacidade.A realidade tenta me sugar,e eu me prendo à caneta,papel e lágrimas.
Suspiros não adiantam,consolos não me tiram daqui.
Me tranquei nesse mundo que criei.
Com caneta,papel e lágrimas.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

persuasão.


Falam que eu observo pouco,que eu vôo demais.Mas é o contrário...Eu observo demais.E me perco nos comentários próprios sobre o que está ao meu redor.
Tem momentos...tem momentos que bem...nada parece estar fora do lugar.Tudo perfeito,na ordem sinfônica que as coisas devem obedecer.E eu fico observando...fecho os olhos,sendo embalada por aquela música surda,o sorriso estampado,a respiração forte...Nada dura mais que dois segundos,e tudo parece estar consertado e concertado,por séculos,milênios,anos-luz.
E outras horas,no perder-se de dias e dias,reina o caos.Gritos,barulho,nada me deixa em paz.Nada parece estar ao meu favor,nada parece...obedecer àquela sinfonia,que toca agora bem triste,e alta,embora ninguém possa ouví-la!-ela é surda,lembra-se?
tudo se perde,tudo fica borrado,sem cor e confuso.
às vezes eu sinto isso,e às vezes é o tempo todo.
só que pessoas,geralmente,não me entendem.