sábado, 5 de janeiro de 2008

Renascer.

Os cabelos lisos cobriam-lhe o rosto de uma maneira sutil,deixando na sua expressão uma certa aura de mistério.Era branco.Branco,pálido e tinha as mãos geladas.
O ponteiro do relógio apontou as oito horas.O sol,atrás do cenário,era recortado pela copa das árvores que ficavam atrás do cemitério.
Anoitecia.
Abaixou os olhos tristes e olhou para os próprios pés,os tênis sujos de lama.Havia algo naquele crepúsculo que fazia seus pés o impulsionarem para frente.
Chegara ao portão.Os olhos levantaram-se e viram no letreiro acima de sua cabeça que ali não era um lugar para pessoas que ainda sabiam respirar.
O portão rangeu,parecendo resistir à sua entrada,parecendo não o querer.
Impulsionou o corpo pela brecha que conseguira abrir entre um portão e outro.Não havia muito trabalho,ele era magro como um caniço e estava acostumado a esgueirar-se por locais apertados.
Conseguira.Arfava um pouco,só um pouco.Seus pés continuavam a puxá-lo mais e mais para dentro,como um impulso instintivo totalmente esquisito.Viu covas e sepulcros que pareciam nascer do chão,a maioria tão antiga que os nomes talhados já haviam se apagado.
O vento vazio afastou seus cabelos do rosto,num sopro.À quase luz do pôr-do-sol,subiu a colina que levava-o até as árvores,no limite do cemitério.No seu pico,viu uma melancólica árvore sem folhas;Esboçou um sorriso ,que contradisse as lágrimas que manchavam o canto dos olhos.
Chegou até a árvore,e a cumprimentou alisando o tronco com a ponta dos dedos frios.Admirou-a durante longos segundos.
-Já faz muito tempo.
Sua voz saiu rouca,quase morta.Nunca combinara tão bem com um cenário quanto combinava com aquele.
Fechou os olhos,tocou a amendoeira e a beijou.
Numa explosão de cores e luzes que se derretiam por entre seus dedos gelados,tornando-os quentes,a amendoeira morta transformou-se numa garota,os cabelos castanhos espalhados pelo rosto e o cheiro de flor.A mão dele tocava-lhe onde pulsava um coração.Abriu a boca,e dela derramou-se uma luz alva e cálida.Seus lábios se confundiam com os dele,e o beijo terminou com ela por entre seus braços,levemente adormecida.
Finalmente a amendoeira florescera.

5 comentários:

Lucas Nabuco. disse...

karalho
onde voce acha esses texots?
;*

Loh_rayne disse...

perfeeito seus textos;

tava com saudades daquii

:*

Anônimo disse...

=D

afinal ela foi enterrada debaixo da arvore?

Pedro Guimarães disse...

fluidez na escrita, lirismo constante.

sua escrita é um sorriso que contradiz uma lágrima.

Anônimo disse...

lindo meu amor....
você é sensivel!, muito lindo
te amo ♥