terça-feira, 27 de novembro de 2007

Do sétimo Andar.

Parou na frente da janela,a mão tremia.A mão segurou a madeira,o pé estacionou no mármore do parapeito.
O primeiro impulso.
Subiu com certa dificuldade,e ajeitou-se até sentar,também com dificuldade.Tinha cãimbra nas pontas dos dedos,tamanha era a força que usava para segurar-se.
Esse era o último esforço inútil de viver.
Fechou os olhos,apoiou a cabeça num canto.A falta de um ombro.
Não chorou.Não chorou lágrimas,não chorou pranto,não chorou nada.Não havia mais o que se chorar.
Talvez nunca houvesse...
-Eu sou sozinha.
O vento soprou,mudo,sem resposta.Espalhou os cabelos no seu rosto,que ela não teve a preocupação de ajeitar.Os pés balançavam furiosamente,desemparelhados e fora de ritmo.
O sangue parecia estar prestes a explodir as suas veias e artérias,com a adrenalina a esgueirar-se sorrateira dentro do corpo dela.A emoção escorregava por entre seus dedos,boca,garganta,olhos,coração.
É só mais um impulso,vamos.Quem vai notar?
Quem vai perceber?
Quem vai se importar?
Aí o vento gritou:
Ninguém.

2 comentários:

Anônimo disse...

Uma vez que fiquei na parte de fora da sacada da minha casa. Mas o vento não gritou "ninguém", por isso voltei atrás e tô aqui escrevendo.

;*

Lucas Nabuco. disse...

Amanda, voce precisa um psiquiatra.com
mas tah, como voce dala DUCAS :D