Esperava sentada,as pernas curtas e pálidas balançando de modo acidentalmente infantil,o que disfarçava sua falta de inocência.Inocência perdida também por acidente.
Levanta os olhos pro alto,pro céu estupidamente azul,que,manchado de gotas brancas que os homens chamavam nuvens,rodeavam-na de uma maneira que a deixava sem saída.O vento passa forte,mas tão forte perto daquele porto que ameaçava cruelmente arrancar-lhe o chapéu vermelho da cabeça.O vestido cor de sangue,as anáguas brancas balançando,uma cor furtante e ofegante no meio de tanto ciano.Ela ainda estava esperando.
Os olhos.Ah!os olhos.Um profundo carvalho,um profundo calvário,uma profunda agonia.Ela ainda esperava.Os sapatos de vinil balançavam,um batendo no outro de leve.
Toc,toc,toc.O som dos sapatos batendo pomposamente na pedra branca do chão.Assustou-se,quase se derramando do banco de madeira,e suas bochechas rosadas comprimiram-se num sorriso.
Um sorriso que derramou-se três segundos depois,quando olhou para frente e viu o vento passar por cima de seus olhos.
Só o vento.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário